Déjà vu: animais que pensam demais em Night in the Woods

Começar a falar de Night in the Woods com alguém, é como explicar o mito da caverna de Platão para um gato de rua, que vai começar a grunhir de dor a cada sentença e depois irá embora para assistir tv com o seu pai, antes de fuçar o computador e ir dormir, claro.

A concepção do que é tangível na realidade e nossas definições como seres humanos dentro dela, formam um espaço seguro e amigável dentro da imprevisível onda que um choque de existencialismo pode ocasionar. Quem precisa sair por aí e questionar seu próprio papel durante vida e morte, quando seu amigo de infância está te chamando para dar uma volta de bike nos familiares arredores da cidade?

Encarar as implicâncias de simplesmente existir, e ao mesmo tempo, deixar de existir em um futuro próximo, é uma tarefa árdua e sinceramente, chata pra caramba.

Infelizmente, existe uma pequena parte da sua vida, que exigirá muito mais do que você realmente quer ou pode oferecer com um mero animal. A época que irá te provocar, apontar seus defeitos e oferecer mudança. A época em que o bom e alcançável é motivo de vergonha e deve ser deixado de lado. A época em que se provar, acima de tudo para si mesmo, vai estar na frente de tudo o que é sagrado na sua vida. Bem-vindo a vida adulta, e esse limbo que carinhosamente lidamos como transição, chamado de faculdade.

Parte de se conhecer nessa fase, é aceitar o que você realmente é e pode fazer neste mundo, coisa que fica extremamente difícil de digerir quando seu pequeno universo se abre para horizontes completamente alienígenas e intocáveis bem na sua frente.

Talvez nessa parte da vida, um animal antropomórfico buscando luzes disformes em um plano existencial, para construir uma bela melodia que consequentemente formará a concepção de vida como conhecemos, seja mais familiar do que uma instituição de ensino superior. Essa barreira estranha, que abala seus sentidos e desafia tudo que era sagrado pra ti, provavelmente ganha mais presença que sua própria concepção de realidade, tornando essa linha turva e completamente aberta para ser quebrada.

Não estar pronto para lidar com uma coisa tão complicada, e simples ao mesmo tempo, pode te fazer formular uma versão de tal realidade em que as razões realmente casam com as consequências.

Um mundo onde sua coleção de loucuras faça sentido e a reafirmação cinza dos outros não valha a pena. Entre se entregar ou não a ele, talvez a resposta seja procurar ajuda.

Night in the Woods é exatamente essa montanha-russa de insanidade e sobriedade, onde o ordinário flerta com o extraordinário como um pedido de ajuda, de alguém que se perdeu em si mesmo e está desorientado demais para se ajudar.

Lentamente, a atração para tudo que vai colorir o mundo vai sumindo. As formas perdem seu valor e a abstração torna tudo irreconhecível.

A prisão mais cruel e selvagem que sua mente pode conceber, é aquela que faz o incompreensível sangrar por sua mente e abafar o que te faz um simples animal como todos os outros. Não há fim para a loucura, e nem você mesmo pode mediar o que deveria ser melhor, quando a doença transcende para a sua própria versão de lar.

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